|
||
|
“Olê, Marques! Olê, Marques!”
Era uma noite em 1997 e fui com o meu pai para o Mineirão ver a estréia do Atlético no Campeonato Brasileiro daquele ano. Havia um enigma em como aquele time comandado por Emerson Leão jogaria e como se comportariam as principais contratações, Valdir Bigode e Marques. A dupla de atacantes, até então, estava muito longe de ser algo sonhado pela massa. O Galo perdeu aquele jogo para o Palmeiras por 1 a 0, mas saiu aplaudido de campo pela vontade que demonstrou. A torcida não sabia, contudo, que via naquela noite o nascimento do maior ídolo recente do clube. Marques teve um início promissor no Corinthians, passagens apagadas por outros clubes e a redenção no Atlético, onde é chamado de “messias” por parte da torcida. Como o destino costuma ser cruel com os ídolos do clube mineiro, chegou perto de comemorar um título brasileiro, em 1997, 1999 e 2001, mas teve de se contentar mesmo com estaduais, em 1999, 2000 e 2010, e uma Conmebol, em 1997. A massa atleticana torce como poucos séquitos deste país e viu no garoto franzino um parceiro em campo em sua disposição, comprometimento, alegria e dor. Marques não nasceu no Galo, mas foi acolhido como nenhum outro “forasteiro”. Em um presente quase sem ídolos, o “messias”, ali na antiga ponta-esquerda, arrancou furor, lágrimas, gritos e sussurros de seus devotos. Mesmo com as seguidas contusões, que lhe atrapalharam até na seleção brasileira e o tiraram de jogos decisivos do clube, como a final contra o Corinthians em 1999, Marques marcou 134 gols com a camisa listrada, tornando-se o 9º maior artilheiro da história do clube. Com 192 partidas, é o jogador que mais defendeu o Galo no campeonato nacional. Se o destino foi camarada com o paulista de Guarulhos ao deixá-lo marcar o milésimo gol atleticano em Brasileirões, em 30 de setembro de 2001, na vitória sobre o Goiás por 2 a 1, em outros momentos lhe foi de uma crueldade sem precedentes. Em 2005, Marques voltou ao clube e chorou ao vestir novamente a camisa preta e branca na reapresentação. A volta aconteceu diante do São Caetano, mas Tite, contrariando os 40 mil presentes ao estádio, deixou o xodó no banco. Ele entrou, fez seu drible clássico de corpo, que todos os defensores sabiam de cor, mas não conseguiam impedir, e anotou o gol de empate do Galo. Mas não adiantou. O time perdeu mais uma partida naquele ano fatídico, que o levou a segunda divisão. Mais uma vez de volta à casa, Marques, perdoando dívidas enormes do clube, veio em 2008 como o grande presente no centenário atleticano. Em sua chegada à sede, foi carregado nos ombros pela torcida, que pouco se importava com as contusões cada vez mais freqüentes. Marques tentou, mas não era mais um menino arisco, que deixava zagueiros deitados e atônitos. O tempo chega até para os imortais. Contusões seguidas e muitas tentativas de volta. Marques cruzava na área, mas lá não tinham Guilherme nem Valdir pra completar. Sempre há, porém, uma chance do destino se redimir. E isso aconteceu na final do Campeonato Mineiro deste ano, quando Marques entrou em campo e, em alta velocidade, como se esquecendo dos seus 37 anos, tabelou com Ricardinho, recebeu lindo passe e fez o segundo gol do Galo naquela tarde de domingo, que, por isso, já é antológica. Na comemoração, tirou seu manto sagrado e fez com a haste da bandeirinha seu próprio estandarte, ovacionado pela torcida e carregado pelos companheiros.
Desnecessário, “messias”. Você é a própria bandeira atleticana. Se hoje sua carreira acabou, pouco importa agora. Para isso é que serve a boa memória.
Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h28
[]
[envie esta mensagem]
Clássicos regionais
Para você o que é um clássico? Erudito? Convencional? Tradição? Antigo? No futebol, todos sabem, clássico é o grande jogo. Tradicional, com rivalidades acirradas, histórico de grandes confrontos e decisões memoráveis. Aquele jogo que é importante mesmo sem relevância alguma para tabela, o campeonato à parte, a partida que começou “quarenta minutos antes do nada”. Porém, na inútil e eterna tentativa de vender os ultrapassados campeonatos estaduais a todo o custo, parte da imprensa vem, ano a ano, banalizando o “clássico” como se desconhecesse o seu significado. Em 2008, por exemplo, Ipatinga e Social fizeram o absurdo “clássico do Vale do Aço”. Como, se o Ipatinga tem pouquíssimos anos de vida e ambos nunca decidiram nada? O jogo já é um clássico? Nasceu assim? Neste ano, até o América de Teófilo Otoni, debutante na primeira divisão de Minas, fará um desses “clássicos regionais”. Não me perguntem com quem. Se “clássico é clássico e vice-versa” não coloquem qualquer coisa nesta galeria. Vamos preservar o termo. Pelo bem do futebol e do pouco que resta dos estaduais.
Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h58
[]
[envie esta mensagem]
Viva os Estaduais!!!
Viver em Belo Horizonte é muito complicado nessa época do ano. Sobretudo para quem gosta de futebol. O calor é cada vez mais intenso, não temos praia e ainda somos obrigados a ver o Campeonato Mineiro e sua “fantástica” disputa anual entre Atlético e Cruzeiro. Claro que houve uma época, menos globalizada, em que os estaduais faziam sentido. Eram os rios das nossas aldeias. Mas num mundo cada vez menos saudosista e mais pragmático os embates entre pequenos times locais é tristemente ignorado e perde o sentido. Isso também tem a ver com o gosto do brasileiro pelo seu time e não pelo futebol. E mais: o time de devoção tem que ser vitorioso! Ou ter um passado glorioso. Poucos aqui torcem como na Argentina ou Inglaterra, sem uma relação custo-benefício. Em Ipatinga ninguém liga para o artificial clube local. Todos são cruzeirenses, atleticanos, flamenguistas e vascaínos. O mesmo acontece em Uberlândia, mesmo com o clube da cidade sendo tradicional. Idem em Santo André, Volta Redonda, Santa Bárbara do Oeste e Araras. A história é quase sempre a mesma. Salvo raras exceções, como Nova Lima, Campinas e Pelotas. Os defensores dos estaduais argumentam que os pequenos necessitam deles para sobreviver. Ora, os campeonatos estaduais hoje têm, no máximo, três meses de vida. Um clube profissional durar apenas três meses ativo é absolutamente sem sentido. E destes três meses só encher o estádio quando os grandes jogam lá é gigolagem sobre os mais fortes. O fato é que ninguém se importa com os pequenos. Apenas empresários e alguns prefeitos interessados em divulgar sua cidade. Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h30
[]
[envie esta mensagem]
Os deuses do futebol
Quando o Cruzeiro eliminou o São Paulo nas quartas-de-final desta 50ª Libertadores, houve grande (e justa) festa em Belo Horizonte e o time foi recebido no aeroporto com gritos de tricampeão. Na fase seguinte, quando a Raposa fez o seu terceiro gol contra o Grêmio no Mineirão o mesmo grito ecoou pelas arquibancadas. Na final, em La Plata, a atuação de Fábio e o zero a zero final deixaram a capital mineira azul e a torcida celeste com a certeza do tri. O mesmo canto foi entoado também durante o clássico contra o Atlético, domingo. Os deuses do futebol costumam castigar esse tipo de coisa. Muitas vezes de forma impiedosa. Não que os comandados de Adílson tenham entrado com excesso de confiança em campo. Talvez o problema tenha sido excesso de responsabilidade, já que para boa parte da torcida cruzeirense o jogo era apenas mais um detalhe rumo ao título. A confiança da torcida, ainda que exagerada, justificava-se pelo grande futebol apresentado na Libertadores, pela invencibilidade do time titular no Mineirão e, quiçá inconscientemente, pelo fato do Cruzeiro nunca ter perdido uma decisão importante no maior estádio de Minas, exceção feita ao histórico duelo contra o Bayern de Munique, que terminou 0 a 0. Todas as outras (poucas) derrotas cruzeirenses em finais nacionais ou internacionais aconteceram fora de BH. A Raposa sempre soube, como ninguém, ser uma boa anfitriã e fazer a festa. Mas o futebol sempre ensina que nunca se ganha um campeonato na véspera. Ainda mais nas quartas-de-final. A Libertadores, o torneio do extra-campo, é recheada de zebras em sua história e times pequenos levantando a taça. E do outro lado, não havia ninguém pequeno, desprezível. Havia uma equipe experiente, grande, comandada por um craque que é torcedor do time. Que ouviu do pai as glórias de um Estudiantes poderoso, em que ele fora o protagonista. Que foi criado no clube, o resgatou da segunda divisão, foi brilhar na Europa para depois voltar e realizar um sonho de menino. Um time que tem um cara desses jogando não pode ser menosprezado. Quem nunca sonhou em vestir a camisa do clube do coração? Ser um torcedor, mas com talento de sobra, em campo? As “bruxas” existem e hoje ela fez história no Mineirão. O Brasil segue tentando aprender com os hermanos a como levantar a taça de clubes mais bonita do mundo. Estamos, agora, nove atrás.
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 02h17
[]
[envie esta mensagem]
Cinzas do papai Sua família era toda atleticana. Nem o cachorro tinha o direito de torcer para outro clube. A tradição ali era uma espécie de ‘sucessão discipular’ e já alcançava três gerações. Apesar de todos serem bem fervorosos, seu pai conseguia se destacar. Sempre ao final de qualquer festa, cantava sozinho o hino do clube e cantos da torcida com o copo de cerveja na mão e lágrimas nos olhos. Um dia, pediu: “quando eu morrer, nada de terno. Você sabe que nem gosto de usar isso! Quero ser enterrado com a camisa do Galo! E quando o caixão descer, quero que cantem o hino! E não se esqueça da bandeira sobre o caixão!”. Pedido feito e, claro, aceito. Ir ao Mineirão era algo religioso e seu pai o levava àquele coliseu desde que usava fraldas. Foram muitas vitórias, derrotas, alegrias e tristezas. Com a idade do seu pai avançando, o ritual começou a ficar cada vez mais complicado. A violência crescia. Ainda dava pra ir, mas as privações eram muitas, como chegar mais cedo, sair mais tarde e ficar muito atento. Pouco a pouco, a motivação ritualística perdeu força. O pai ficou doente e faleceu pouco depois. Antes, porém, mudou de idéia e desejou ser cremado. As cinzas, claro, deveriam ser jogadas no Mineirão. O jogo escolhido foi o primeiro clássico de 2004. O Cruzeiro havia conquistado a “tríplice coroa” no ano anterior e era o time a ser batido no país. O Galo, com um elenco (mal) renovado, fazia um bom início de temporada. As cinzas foram jogadas ao campo ainda no primeiro tempo e o Atlético fez 4 a 1 no rival. O confronto terminou 5 a 3 para o Galo, com três gols do meia Tucho, eterna promessa, em uma atuação inigualável em sua curta carreira. As cinzas, provavelmente, perderam-se no fosso da Geral e no gramado. A família, assustada, começou a ler Alan Kardec. O Mineirão voltou a ser um ritual (quase espírita).
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h52
[]
[envie esta mensagem]
Los Ángeles de Cappa e a “final” na Argentina Responda rápido: o América é o quinto grande do Rio ou o primeiro pequeno? A resposta, na verdade, pouco importa, já que o fato de existir a pergunta já denota que o América-RJ já foi grande e agora passa por dificuldades. Em uma escala bem maior, outro exemplo é o Bahia, que segue forte por seu povo, um dos mais admiráveis do mundo, mas, infelizmente, continua militando em divisões inferiores. Na Argentina, esse clube é o Huracán, do bairro de Parque Patrícios, em Buenos Aires. “Grande no se hace, grande se nace” (grande não se faz, grande se nasce), diz a bandeira da torcida do Globo, como é conhecido. Na Argentina, o grupo dos grandes, que conta com Boca, River, Independiente, Racing e San Lorenzo, não admite convidados. Nem as três Libertadores do Estudiantes servem. Nem o fato do Rosario Central ter a sexta maior torcida do país. Nem o mundial do Vélez, nem a Libertadores do Argentinos Juniors, tampouco os títulos do Newell’s. O único intruso a esse seleto grupo de cinco era, justamente, o Huracán,, que, por décadas, foi considerado o sexto grande. Dono do estádio Tomás A. Ducó, com capacidade para 48 mil pessoas e uma das mais belas fachadas do mundo, o clube, fundado em 1908, foi campeão argentino em 1921, 1922, 1925 e 1928, ainda na era amadora do futebol no país, e sua maior glória é o título de 1973, sob o comando do então inexperiente César Menotti. O time de 1973 entrou para a história do futebol argentino e é lembrado com saudade pelos “quemeros”, como são conhecidos os “hinchas” do clube, até hoje. No próximo dia cinco de julho, porém, mais um capítulo glorioso pode ser escrito. O Huracán, após rebaixamentos nos anos 1980 e 2000, que acabaram com o seu status de “sexto grande” e o deixaram atolado em dívidas, é a sensação do futebol portenho em 2009. Comandados pelo técnico Angel Cappa, tido antes como mais um saudosista do esporte e agora ovacionado no país, o time pratica um futebol que valoriza a escola clássica de toque de bola da Argentina, além de contar com jovens promissores, como Defederico, Bolatti e Pastore, chamados de “Los Ángeles de Cappa”. O treinador é daqueles que dizem que a vitória de 1 a 0 foi ruim porque o time jogou mal. Impossível não lembrar de Telê. Ontem, a uma rodada do fim do torneio, o Huracán alcançou a liderança do Clausura, um ponto à frente do Vélez e no último jogo, dia cinco de julho, só precisa de um empate para ser campeão diante do... Vélez!!!! Um roteiro sensacional. O Campeonato Brasileiro é quase ignorado na Argentina e o contrário aconteceu aqui por muitos anos. Uma pena, já que é um torneio cheio de clássicos, estádios lotados, equilíbrio e muita rivalidade. Hoje, talvez até pelo distanciamento da Amarelinha, já têm muitos brasileiros torcendo pela Seleção Argentina e fãs incondicionais de clubes do país, em especial do Boca. Eu, como admirador de histórias de superação no futebol, grandes torcidas que sofrem e clubes outrora vencedores que passam por dificuldades, torcerei para o sexto título do Club Atlético Huracán, “el sexto grande”. Mesmo que sua torcida seja para o Vélez ou para nenhum dos dois, para quem gosta de futebol, a “final” é imperdível. E talvez sirva de alento para outros grandes que sofrem ao redor do mundo.
Estádio Tomás A. Ducó, em Buenos Aires
Time do Huracán campeão de 1973
Campanha de 2009 deixou o clube a um ponto do título
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h48
[]
[envie esta mensagem]
Além do futebol Nasceu em Belo Horizonte, mas tinha algo especial e diferente dos outros garotos: foi criado para ser torcedor do América. Afinal, o avô era um americano histórico e o pai um sobrevivente da torcida que passou 22 anos sem nenhum título, vendo Atlético e Cruzeiro se tornarem referências no país, em grandes esquadrões nas décadas de 1970 e 1980. O garoto não tinha escolha. A casa dos avós era ao lado do Estádio Independência e ver o Coelho jogar era um programa dominical quase obrigatório. Na inocência de sua primeira infância nunca reclamou. Achava, aliás, que o verde era mais bonito que o azul e o preto e branco, além de gostar de brincar tranquilamente com outras crianças no estádio. Era americano e bem feliz com isso. No entanto, a primeira infância passa e na escola ele era o único americano. Era normal atleticanos e cruzeirenses se enfrentarem em diálogos ríspidos. Mas, com ele, pouco acontecia isso. Estava fora da rivalidade e era motivo de piada quando dizia ser torcedor do América. O pai o encorajava, dizendo que ser diferente era bom e que só “as pessoas diferentes haviam feito algo realmente relevante nesse mundo”. Gostava disso, mas, no fundo, sentia-se incomodado em não ser parte da maioria, em não frequentar um estádio grande lotado, ver conquistas e vitórias imponentes. Seu avô já tinha o consolo: “ser americano vai além de vencer”. Mas isso não bastava para ele. Até porque, seu avô lhe contava lembranças de um grande América, de vitórias inesquecíveis e títulos conquistados com suor. Parecia contraditório demais. Em 1997, um alento: o Mecão foi campeão da Série B com o Independência lotado! Sem dúvidas, um grande feito. Mas que não o comoveu mais. Seu pai ainda não sabia, mas ele já torcia em silêncio para o Cruzeiro. Queria ser grande, ser um vencedor, lotar estádio. Não lhe interessava tanto a admirável paixão atleticana. Gostava mesmo era do “espírito copeiro”. E isso era com a Raposa. Não deixou, é claro, de ter uma grande simpatia pelo Coelho. Mas o coração já era de outra cor. Celebrou sozinho as conquistas celestes e nunca apareceu com nenhum adereço azul em casa. Era o único neto homem e não queria magoar a família. Porém, outro detalhe passou a lhe incomodar. O América carregava uma fama de sempre complicar os jogos com o Cruzeiro. Na final da Copa Sul-Minas, em 2000, foi ao Mineirão com o pai e o avô e ficou quietinho na pequena torcida americana. Teve que engolir a seco e arrumar forças para celebrar o título heróico do Coelho sobre a Raposa. Nunca tinha visto o pai e o avô tão felizes. De certo, isso o deixou feliz também, num turbilhão de emoções paradoxais. Seguiu cruzeirense, contudo. Em 2002, a experiência foi diferente. Impiedosamente, com juros, taxas e correções, o Cruzeiro aplicou 7 a 1 no América pela mesma Copa Sul-Minas. Despedaçava-se o último atual grande orgulho futebolístico do clube. Ai de quem ainda quisesse dizer que o Cruzeiro era freguês. E o time estrelado naquela tarde de 17 de fevereiro pareceu querer deixar bem claro, o tempo todo, a verdadeira parte que cabe ao Coelho neste imenso latifúndio do futebol. Na arquibancada verde, uma desolação sem tamanho. Dentro do garoto, uma grande alegria. Era uma vingança silenciosa de tudo o que teve que ouvir contra o Cruzeiro do seu pai e avô após a final de 2000. Olhava para todos os cantos e via cenas de revolta, de desespero e consternação. Estava feliz por não ser parte de um grupo de “perdedores”. Seu pai estava cabisbaixo. Resolveu olhar para o avô e, quase sadicamente, pedir para ir embora do estádio, já que não aguentava mais aquele “sofrimento”. Mas seu avô chorava e essa era uma cena que ele nunca tinha visto. Abraçou o velho e disse que a culpa era do técnico e que, em breve, “eles iriam se vingar do Cruzeiro”. E mais: “que ser americano vai além de vencer”. Não adiantou. O vovô nunca mais quis ir ao estádio. O clube despencou, caindo pra terceira divisão do Brasileirão e até para o Módulo II do Mineiro. Os jogos no Independência, além de raros, estão cada vez mais vazios. Os quadros na parede da sala do seu pai estão mais desbotados. Mas de uma coisa o garoto tem certeza: seu filho tem que ser americano.
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 15h57
[]
[envie esta mensagem]
Libertadores 2009 – quem for mais humilde fica com o título Cada campeonato de futebol tem uma áurea, um charme, algo que o diferencia dos demais. E, neste quesito, a Libertadores sai na frente. Em nenhum torneio futebolístico do mundo o extra-campo conta tanto e é tão diversificado. A exclusão dos mexicanos tirou parte do brilho, já que São Paulo e Nacional foram muito beneficiados. O maior prejudicado foi o esporte. Infelizmente, o caso deixou mais evidente o que todo mundo já sabe: a Libertadores é um diamante nas mãos de incompetentes. Afinal, a Conmebol faz os péssimos dirigentes da AFA e da CBF parecerem razoáveis. Apesar desse episódio com a turma da Concacaf, essa edição de 2009 do maior torneio das Américas está muito peculiar. Primeiramente, evidencia o quanto o futebol argentino está em crise. O River virou piada, o San Lorenzo não disse a que veio e o Lanús voltou a ser um pequeno time do norte de Buenos Aires, distante da equipe que há dois anos é a mais regular da Argentina. Já o Boca pagou pelo desgaste do seu time, já conhecido de todos no continente, e pela empáfia. Sem jogar bem em 2009, os xeneizes seguiam com aquela idéia de que na hora “H” a La Bombonera e o espírito copeiro resolveriam todos os problemas. Ignorou-se que o time vinha com um jogo estéril, previsível e jogadores extremamente manjados, além das brigas internas entre Riquelme e Palermo. Pagou caro, sendo eliminado em casa pelo médio Defensor, que há anos é o principal time dentro do Uruguai, o que não é suficiente para colocar medo em ninguém. Mas deveria, pois os violetas complicaram a vida de São Paulo e Grêmio nas duas últimas edições e eliminaram o Flamengo. Os uruguaios encaram agora os sobrevivente da Argentina, o Estudiantes, que tem um bom time, acordou a tempo na primeira fase e pode ser muito perigoso. Não subestimem Veron. A eliminação boquense deveria servir como exemplo para os brasileiros, que têm se achado muito superiores na competição. Todos colocavam a classificação do Boca, mesmo com o time jogando mal, como algo certo. Futebol e Libertadores são diferentes. É o torneio das zebras, do extra-campo. Estudiantes nos anos 1960 era um time pequeno. Olímpia ganhou do Boca em 1978, quando o futebol paraguaio era nada. O pequeno time de bairro, Argentinos Juniors, foi campeão em 1985. Colo Colo, Atlético Nacional, Velez, LDU e, sobretudo, Once Caldas estão na história para evidenciar o perigo da soberba. Além de inúmeros times que chegaram às semifinais e finais do torneio como grandes zebras. Os brasileiros sobreviventes têm que ter isso em mente. O Cruzeiro é o melhor deles. Com folga. Mas jogou mal contra Sucre, Deportivo Quito e Estudiantes, na Argentina, e foi dominado no início do segundo tempo contra a Universidad de Chile, no Mineirão. São Paulo só fez uma boa partida em toda a competição e foi contra o América de Cali, na Colômbia. Grêmio se especializou em perder gols e não deveria repetir isso contra o Caracas. OK, o time é venezuelano, mas tem jogado bem. Por fim, o Palmeiras tem o Nacional pela frente e, para mim, não é favorito. O alviverde foi inteiramente dominado pelo Sport em Recife e só se classificou porque tem um gênio da bola no gol. Luxemburgo vem fazendo o possível para tirar a equipe da Libertadores. Nada justifica tantos erros seguidos de um técnico experiente. Já o Nacional apresenta o seu melhor time dos últimos anos. Tem jogado como grande e é o candidato a surpresa dessa edição. O favoritismo é do Cruzeiro. Mas só vencerá essa Libertadores quem for humilde, seja jogando contra o Caracas ou contra o Grêmio.
Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 16h55
[]
[envie esta mensagem]
Rezas, canetas, cores e cuecas O futebol não seria nada sem a paixão que move multidões pelo mundo. O jogo simples, que pode ser “jogado” com bola de meia, de trapo, na terra, na lama, no morro e até no barracão da favela transforma-se em algo nobre na grama verde dos grandes coliseus motivado por esse sentimento irracional e maravilhoso.
Essa mesma paixão traz para o futebol outros detalhes que não ganham os holofotes, como a superstição dos torcedores. Só quem é louco por futebol sabe o que é isso. E nem adianta negar, dizendo que não liga para essas coisas. Sempre vale uma “fezinha”.
No universo dos torcedores não existe “gato preto”, “olho gordo”, “pé esquerdo” ou qualquer outro clichê supersticioso. Cada mania é tão particular que é guardada a sete chaves. Afinal, corre o risco de algum rival descobrir o “segredo das vitórias” e tentar copiar.
Muitos mantêm a mesma roupa para ir ao estádio. Da cueca às meias. Se algo estiver sujo, não faz mal, mas é bom que não esteja em processo de lavagem. Outros não usam as cores do time adversário no dia do jogo. Há aqueles que não fazem a barba e ainda os que evitam xampus e sabonetes que contenham a cor do inimigo. Até pasta de dente entra nessa onda. Conheço radicais que, em dia de partidas decisivas, até para escovar os dentes, só usam sabão-de-côco.
Alguns torcedores prezam por assistir às partidas mais importantes sempre com o mesmo grupo de amigos. E, para eles, é fundamental se sentar nos mesmos lugares de sempre, ver ou ouvir o jogo com o “narrador da sorte”. Se houver um intruso no grupo e uma eventual derrota, a culpa é, naturalmente, do novato “pé-frio”. O mesmo lugar do estádio e o mesmo bar do “antes” e “depois” também devem ser mantidos a qualquer custo. Afinal, vale a vitória! Outro detalhe: se o time estiver ganhando com um determinado uniforme, que este seja mantido irrevogavelmente, mesmo que não seja o mais tradicional.
Trocar de namorada (o) no meio da competição costuma ser fatal, bem como assinar cheque com a caneta da cor do rival. Tudo o que você comprar com esse cheque representará derrotas do time do coração e infelicidade pelo resto da vida.
Para boa parte das pessoas, nada disso faz sentido. Mas essas não torcem normalmente. Só de quatro em quatro anos. E você? Qual a sua superstição?
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 14h43
[]
[envie esta mensagem]
América, Atlético, Cruzeiro, Olimpíadas, Paraolimpíadas e Dunga Como a Libertadores já acabou há milênios, nem faz muito sentido ainda falar sobre a vitória da LDU em mais um ‘Maracanazo’. Eu até tinha escrito um texto que ficou velho demais e acabou se perdendo nas mudanças de computador. Aproveito o espaço apenas para fazer comentários rápidos sobre Atlético, Cruzeiro, América, Olimpíadas, Paraolimpíadas e Dunga. Começando com os clubes. América-MG Este ano já foi ótimo para o Coelho. Conseguiu subir para a Primeira Divisão do Campeonato Mineiro, arrumou (muito) dinheiro do Governo Federal para modernizar o seu estádio e ainda entrou pela porta dos fundos na Série C, conseguindo a permanência para o próximo ano. Se existe frustração em parte da torcida que queria ver o time de volta à Série B, muitos acham que o clube ficou no lucro por não jogar a D em 2009. Estão certos. Porém, os ventos não estão a favor para o próximo ano, ao menos nas quatro linhas. Com a demissão do técnico Alemão e a contratação do ‘eterno’ Flávio Lopes, os ares de mesmice pairam novamente no CT Lana Drumond. Nada bom. Atlético Difícil falar algo sobre o centenário atleticano. Pior do que está, só se o clube fosse rebaixado para a Série B, o que eu não acredito, já que Náutico, Ipatinga, Atlético-PR, Portuguesa e Vasco estão fazendo mais "esforço" para cair do que o Galo. Porém, o ano absurdamente vergonhoso do time reflete a falta de planejamento da diretoria, que só pensou em festas e se esqueceu de montar um elenco razoavelmente competitivo. E ainda demitiram o Leão pra trazer Geninho, um técnico caro, fraco e de péssimo relacionamento com a Massa. Asseguro que este time, ao lado do de 1993, é o pior Atlético que já vi. A sorte dele é que o futebol brasileiro realmente anda muito mal. O campeonato nacional é péssimo, com jogos abaixo da crítica. Poucos bons jogadores e quase nenhum bom jogo. Lamentável. O Galo segue sendo goleado, com seu meio-campo que não marca ninguém, só cerca, e craques do passado, já acima dos 35 anos. Depender de jogadores com histórico de contusões, idade avançada, mas inegável talento, é muito ruim. É o mesmo caso do Vasco, com o Edmundo. No ano do centenário a torcida atleticana esperava mais que Petkovic e Marques. Estes poderiam até estar no elenco, mas nunca serem as maiores estrelas (ou únicas) dele. Se há algo positivo no 2008 alvinegro é a mobilização da Massa, cansada de ver o clube se apequenando e se contentando em apenas fugir do rebaixamento no certame nacional. Cruzeiro A torcida celeste pegou no pé do Adílson com razão. Ele andou acreditando demais em suas invenções por um tempo. Porém, é inquestionável o aproveitamento espetacular do treinador à frente do time. E agora ele está inventando bem menos. Ou seja, está mais do que na hora da China Azul vestir a camisa e ir ao estádio empurrar o Cruzeiro. A média de público azul ainda é muito pequena para um time que está brigando pela ponta. O Cruzeiro tem um bom elenco e ainda trouxe o ídolo Sorín, que será uma boa liderança para o jovem elenco. Não espero nada dele, contudo, dentro de campo. E tem um outro detalhe: a diretoria celeste não desfez o time este ano. Ramires segue no clube, assim como Wágner, Fábio e Guilherme, que formam, ao lado do Marquinhos Paraná, a base do time. Talvez falte aos jogadores acreditar de fato que eles podem levantar a taça, diminuindo, assim, as "amareladas" em momentos decisivos. Mas os horizontes seguem muito bons para a Raposa. Olimpíadas Absolutamente fantástico. O maior evento da Terra é sempre uma experiência única, insubstituível, fascinante e envolvente. De quatro em quatro anos, o mundo pára para ser "perfeito", cabendo inteirinho em um estádio. Em um "ninho de pássaro". Valeu a pena ficar madrugadas sem dormir, vendo de tudo um pouco, torcendo por muitos e assistindo a consagração de "novos deuses". Da água, Phelps. Da terra, Usain Bolt. Do ar, a divina Isinbayeva. Sobre a participação brasileira, é sempre bom lembrar que não somos potência olímpica. Porém, gastamos muito mais agora com esportes. Quase nada com psicólogos. As federações são antros de ladroagens e Carlos Arthur Nuzman, que um dia mudou a história do vôlei brasileiro, apresenta-se como um "Poderoso Chefão" pior que o do cinema. Sim, porque ele rouba do governo pedindo por mais. E recebe. Fora, Nuzman! Por fim, o Brasil é o país do vôlei e do futebol e possui atletas talentosos em outras modalidades. Fenômenos. Mas é claro que vendo Maurren, Cielo e outros, o sonho de um dia vermos o hino nacional ser decorado por todas as demais nações fica muito vivo. Então, cobremos uma política voltada ao esporte, como algo fundamental na vida das pessoas. Diariamente. Não apenas de quatro em quatro anos e, no meio tempo, apenas falando de futebol. Paraolimpíadas O Brasil segue, como previsto, muito bem nas Paraolimpíadas, que são sempre muito comoventes. E fica aquele sentimento de vergonha por conhecer tanta gente saudável e sem problemas motores que não pratica esporte por preguiça. Dunga Além da CBF ter conseguido distanciar completamente a seleção brasileira de futebol do povo, ela ainda teve a capacidade de, contra tudo e todos, bancar o nome de Dunga no scratch brasileiro até hoje. Chega, né? Já foi o suficiente. Conseguiram até amansar o capitão do tetra, tornando-o um mero empregadinho de Ricardo Teixeira. Cordeirinho. Depois falavam de seitas que faziam lavagem cerebral nas pessoas nos anos 70.... 70?
Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 15h56
[]
[envie esta mensagem]
“Vence o Fluminense com o sangue de encarnado, com amor e com vigor” Vence o Fluminense Valeu a pena esperar tanto tempo pelo retorno à Libertadores. Passar por Atlético Nacional, São Paulo e Boca Juniors é deixar para trás 10 títulos da maior competição do continente. Claro que não é para qualquer um. Ter partidas épicas contra tricolores paulistas e xeneizes é ainda mais exclusivo. A campanha do Fluminense já é, obviamente, histórica, mas falta a cereja do bolo. A LDU de Quito também eliminou peixes grandes. O tri-campeão Estudiantes, de Verón, o centenário San Lorenzo, de D´Alessandro e o grande América do México, de Cabañas. O esquema de jogo que varia quando a equipe joga fora de casa contribuiu muito para isso. A LDU joga em algo parecido com um 4-3-3-1, congestionando o meio-campo e saindo rápido para os contra-ataques. Em casa, o time equatoriano, bem entrosado, joga de forma mais agressiva, partindo para o ataque e se beneficando da altitude da cidade. É um adversário que merece muito respeito. O Fluminense vem embalado, contando com muitos talentos. Fernando Henrique está numa fase sensacional na Libertadores. Thiago Silva e Luiz Alberto fazem uma dupla excelente na zaga, e Junior Cesar é um lateral acima da média. Gabriel ataca bem, mas é um jogador que oscila demais. No meio, o talento do Flu sobressai, com os volantes Arouca e Ygor e os meias Thiago Neves e Conca. Cícero, com sua versatilidade e bom cabeceio, tem sido muito importante. Na frente, Washington é o centroavante dos sonhos de qualquer time. Raçudo, chuta bem, cabeceia bem e jamais amarela nas horas decisivas. E ainda tem gente que discute quem é melhor, ele ou Dodô. O rodado atacante é um reserva de luxo, porque, inegavelmente, tem muito talento. Mas é um jogador displicente, desconcentrado e, por tudo isso, irritante. Ainda bem que Renato Gaúcho, que tem a raça no sangue quente de sua fria terra, sabe disso e privilegia o Coração de Leão. Final é um jogo diferente, mágico mesmo quando é feio. O campeão será inédito. A decisão, histórica. A paz, a esperança e o vigor unidos e fortes pelo esporte mais uma vez. Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h04
[]
[envie esta mensagem]
Libertadores: restam 4 No mesmo dia da decisão cardíaca entre Chelsea e Manchester, que, ainda bem, premiou o United, a Libertadores mostrou porque é um torneio diferenciado. Fluminense e São Paulo fizeram um jogo histórico, inesquecível e espetacular. O palco não poderia ser mais adequado: o Maracanã lotado. Um jogo cheio de alternativas, heróis e generais. Óbvio que não vou ficar falando como foi o jogo após tantos dias, mas ele evidenciou tudo que faz do futebol o jogo mais imprevisível e sensacional. Parabéns ao Fluminense, que faz, pela primeira vez, uma boa campanha continental. Sempre falam que o Flu não tem tradição no continente, mas se esquecem de alguns detalhes: o Flamengo quando venceu em 1981 fazia a sua PRIMEIRA participação na Libertadores. O mesmo vale para o Grêmio, em 1983 ou para o Argentinos Juniors, em 1985, e o absurdo Once Caldas. Todos campeões. Outros tantos fizeram boas campanhas sem antes ter tradição continental. O Huracán, por exemplo, só jogou a Libertadores uma vez, em 1974, e foi até as semifinais. Se o time carioca ainda não tem tradição, é uma boa hora para trilhá-la. Afinal, de que valeu a tradição no São Paulo? O time do Morumbi, aliás, nunca empolgou ninguém nessa edição, dependendo demais do decisivo Adriano. Muricy deve rever rapidamente seus conceitos, se ficar no comando do time. O Santos perdeu para o juiz, para as suas limitações e para o América do México. O time de Cabañas, atacante que não passou a jogar bem só agora, como dá a entender parte da mídia esportiva limitada brasileira, melhorou muito desde a vitória sobre o Flamengo, quando já contava com novo treinador no banco. Não se pode mais menosprezar o América. E o mesmo vale para a LDU. O time equatoriano é muito mais que a altitude de Quito e uma defesa sólida. A equipe sabe jogar fora e o faz de maneira mais ofensiva em casa. Fará um duelo equilibrado com o América, no qual ambos perderão a arma do alto do morro. Os equatorianos eliminaram nas quartas o centenário San Lorenzo, que, mais uma vez, adiou o sonho de ser o maior da América. A verdade é que o time argentino abusou demais da sorte, sempre jogando no limite da superação. Vejamos: na primeira fase perdeu na estréia para o Caracas, com jogador a menos. Empatou com o Cruzeiro em casa e, na seqüência, teve que virar um jogo perdido contra o Real Potosí nas nuvens bolivianas. Depois ganhou dos andinos em casa, pela contagem mínima, perderam pro Cruzeiro e, finalmente, convenceram ganhando do Caracas. Nas oitavas, fizeram dois clássicos sensacionais contra o River, vencendo em casa e empatando em Nuñes, com dois jogadores a menos, após estar perdendo por 2 a 0. Por fim, no duelo contra a LDU Quito, empatou em Buenos Aires por 1 a 1, após lance bizarro do seu goleiro e obteve o mesmo placar jogando na altitude equatoriana, com um jogador a menos e outro frango. Ou seja, os Corvos não tiveram jogos normais. Aí é abusar da sorte e contar demais com os santos. É isso. Restam quatro. O último classificado, que enfrenta o Fluminense, é o grande favorito Boca Juniors. Mesmo jogando mal no estádio do Velez, os Xeneizes mostraram toda a sua classe no Jalisco, contra o bom time do Atlas, que ficou atônito diante do início de partida do Boca, com o seu trio Riquelme-Palácio-Palermo. Um distribui as jogadas. O outro abre espaços na zaga adversária. E o último finaliza. O Boca segue sem a La Bombonera para o confronto contra os cariocas e vai jogar no estádio Juan Perón, do Racing, em Avellaneda. Avellaneda, aliás, é bem próxima do bairro de La Boca e é o lar de oito títulos da Libertadores. Quem vai parar o Boca? "Vamos, Fluzão"? Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 17h48
[]
[envie esta mensagem]
A Lei Áurea e o futebol Por ROBERTO VIEIRA Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. Uma lei com apenas dois artigos: Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil. Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Simples na escrita. Profunda nos seus designios. Motivo de festa nas ruas do país. Princípio da República. Por caminhos tortos, a Lei Áurea foi muito mais importante para o futebol brasileiro que a Lei Pelé. Quase 60 anos depois era lançado um clássico da literatura brasileira. O livro 'O Negro no Futebol Brasileiro' de Mario Filho. Pois o Brasil sem o negro seria um país de futebol nenhum. Um saco de pancada dos argentinos. Mas a chegada dos antigos escravos no futebol foi lenta. Porque a abolição da escravatura no Brasil foi mais verbo que ação. Os amigos de Charles Miller jogavam bola nos gramados bem cuidados dos clubes ingleses. Os negros imitavam seus trejeitos nos campos de terra batida. Descalços e incultos. Criativos. As portas dos clubes e das salas grã-finas eram fechadas aos negros. Até que os negros começaram a fazer gols. E o gol subverteu a história do Brasil. Abriu portas. El Tigre. Olhos claros, tez indefinida, futebol de gênio. Como a sociedade escravagista poderia resistir aos dez mil gols de Fried? Como se até o Champs-Élysées beijava seus pés? Como se ali do lado os uruguaios veneravam Jose Leandro Andrade? Enquanto nossos jornais insistiam em chamar os jogadores negros de colored, hábito que persistiu até os anos 60, surgiu Fausto. E depois de Fausto, Domingos da Guia. E depois de Domingos da Guia, Leônidas. Leônidas que subverteu as leis da física com suas bicicletas tal qual Einstein. O Brasil descobriu Zizinho. Ou será que foi Zizinho quem descobriu o Brasil? Os mestres do apocalipse colonial porém insistiam: 'Temos talento mas não temos nervos. O negro é frágil, doentio, sifilítico...' Como se as doenças da pobreza fossem causa e não consequência do Jeca Tatu. Quando fomos derrotados em 50, um culpado: Moacir Barbosa! Crime: Ser negro. E baniram-se os negros da camisa número 1 da seleção brasileira. Da camisa número 1. Porque das demais camisas era tarde demais. Ou não? Publicou-se um relatório nos corredores do futebol antes de 1958. 'Com os negros não ganharemos uma copa jamais!' Voltem as chibatas. Os navios negreiros. Restaure-se o pelourinho! Eis que uma criança apanha uma bola na coxa, dribla um bretão e encaçapa uma bola nas redes com a sem cerimônia de um rei africano. Silêncio. A imagem daquele rapazola franzino sendo carregado em triunfo na Suécia era um paradoxo. Um cataclisma. A liberdade oferecida no bico de pena era agora conquistada na ponta da chuteira. O Brasil se descobria Brasil nos pés e na arte de um neto de escravos. Pois, que importa do nauta o berço? O gol não tem certidão de batismo, árvore genealógica, nome e sobrenome feudal. O Brasil começou a ser Brasil 120 anos atrás. Num dia de domingo. 13 de maio. No mesmo horário de um Fla-Flu, de um Palmeiras x Corinthians, de um Clássico das Emoções. De um Ba-Vi. Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel. Uma lei com apenas dois artigos... Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h36
[]
[envie esta mensagem]
Libertadores: restam 8 Não tive tempo para escrever sobre a pré-temporada brasileira de luxo, que consiste nos Campeonatos Estaduais. Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Sport, Vitória, Internacional, Coritiba e Figueirense saíram na frente nos principais torneios regionais do país. Na principal competição do ano nas Américas, as oitavas-de-final da Libertadores trouxeram grandes surpresas. No principal confronto, que reuniu 8 títulos e o maior campeão do século XXI, o Boca superou o Cruzeiro com um duplo 2 a 1. O time xeneize voltou a mostrar que sabe decidir com uma calma assustadora! E jogadores experientes de muita qualidade. Favoritíssimo ao título mais uma vez, pois tem um time melhor que o do ano passado. O Cruzeiro fez um bom papel no torneio, sobretudo se levarmos em conta a idade do elenco. Se a Raposa soubesse manter times, esse seria um forte candidato ao título do ano que vem. O técnico Adilson Batista, apesar das críticas da torcida, acabou acertando na maioria de suas invenções. Poderia, contudo, apostar menos nelas. O Boca enfrenta agora o Atlas, que bateu o atual campeão argentino, o pequeno Lanús, com dificuldade. Apesar de ganhar por 1 a 0 na Argentina, o time de Guadalajara suou muito em casa para empatar por 2 a 2 e garantir a vaga. Na primeira fase, o Atlas perdeu na La Bombonera por 3 a 0 e ganhou no Jalisco por 3 a 1. O Flamengo protagonizou uma vergonha sem igual ao perder por 3 a 0 para o América do México, após ganhar por 4 a 2 no Azteca. Absurdo. Para mim, fruto de um oba-oba típico do Rio de Janeiro. Mas o América não é o Olaria e a Libertadores não é o Campeonato Carioca. Festa, só depois de jogo. Mesmo estando na Cidade Maravilhosa. Os mexicanos enfrentam agora um Santos forte, que bateu duas vezes o bom time do Cúcuta. O time da baixada sempre foi apontado como o pior dos cinco brasileiros na Libertadores. Todo mundo se esqueceu, no entanto, que no banco o Peixe conta com Emerson Leão, técnico chato, arrogante, grosso, porém muito competente. Poucos sabem tirar leite de pedra como Leão faz. O São Paulo finalmente jogou melhor no Morumbi e tirou o Nacional da Libertadores. Adriano voltou a ser decisivo para o tricolor e os uruguaios agora não têm mais candidatos ao título. Teremos um confronto brasileiro na próxima fase, já que o time paulista enfrenta o Fluminense, que venceu as duas partidas contra o Atlético Nacional de Medelín. O time carioca não vem jogando bem, mas concordo com o Renato Gaúcho sobre a máxima do resultado na Libertadores. Dar espetáculo é sempre bom, mas na fase de mata-mata do torneio, vencer é o fundamental. A torcida pó-de-arroz fez muito feio ao vaiar o time no jogo de volta contra os colombianos. A química entre arquibancada e gramado jamais pode ser quebrada na Libertadores. Times medíocres ganham o torneio com isso e grandes esquadrões fracassam. O Estudiantes deu adeus ao sonho do tetra, ao cair diante da LDU. Dois bons times candidatos ao título em campo. Confronto equilibrado e emocionante. Ninguém destaca, mas a LDU é sim uma das favoritas a levantar o caneco mais bonito do mundo. No clássico de Buenos Aires, o San Lorenzo operou um milagre no Monumental e tirou o River Plate. O time de Almagro venceu em casa, em um jogasso, por 2 a 1, e conseguiu empatar em Nuñes, após estar perdendo por 2 a 0 e com dois jogadores a menos. Espetacular e típico da Libertadores, prova incontestável da alma que o torneio possui. Os dois portenhos, tradicionais "amarelões" na Libertadores, fizeram os melhores jogos das oitavas. O centenário San Lorenzo mantém vivo, e mais forte que nunca, o sonho de ser o maior da América pela primeira vez. Será que os corvos vão voar tão alto assim? Por Romero Carvalho Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h34
[]
[envie esta mensagem]
Quem será o Libertador? Quem me conhece sabe que o meu torneio de futebol preferido é a Libertadores da América. Gosto mais do principal campeonato do continente americano que da Liga dos Campeões. Óbvio que não sou cego. Os jogos entre os grandes da Europa são melhores e mais técnicos que os da Libertadores e eu tento assistir a todos. Mas o torneio das Américas tem mais alma. Isso é inegável. A Libertadores tem uma aura diferente, que sintetiza toda a diversidade e espírito aguerrido de diversos povos, que sofrem, sofreram e certamente sofrerão nas mãos de tiranos, conglomerados econômicos e monarquias colonialistas. O futebol só espelha todos os sentimentos dos povos americanos. Na Liga dos Campeões, seus clubes internacionalizados, frutos da Globalização, fazem hoje as inúmeras fronteiras do continente desaparecem nas quatro linhas. A Inter de Milão, por exemplo, chegou a fazer várias partidas esse ano sem nenhum jogador italiano no time titular. Voltando à Libertadores, os confrontos das oitavas-de-final estão definidos, para azar de alguns e sorte de outros. A princípio, os que mais chamam a atenção são Cruzeiro vs Boca Junior, Flamengo vs América e San Lorenzo vs River Plate. O Cruzeiro deu muito azar. Fez uma ótima primeira fase, se descontada a goleada sofrida para o Potosí nas nuvens bolivianas. O Boca, ao contrário, oscilou na fase de grupos. Ganhou todas as partidas na ‘La Bombonera’, mas fora de casa apenas empatou com o Maracaibo na estréia e perdeu para Atlas e Colo Colo. Contou com a sua velha sorte de campeão para sair com a classificação, já que precisava golear o Maracaibo por 5 a 0 em casa na última rodada para não depender de ninguém e ganhou "apenas" de três. O Colo Colo, um rival histórico, bobeou e empatou com o Atlas em Santiago, garantindo a classificação boquense. O problema é que o Boca jogou boa parte da primeira fase desfalcado, incluindo dois jogos sem Riquelme. Agora está com a sua força máxima de volta e o elenco é muito forte, chegando ao luxo de contar com Gracián no banco. E, além do mais, o Cruzeiro não costuma dar sorte com o Boca em decisões. Perdeu as finais da Libertadores para os ‘bosteros’ em 1977 e da Supercopa, em 1989. Mas decide em casa. Se conseguir segurar um resultado mediano em Buenos Aires, pode levar, pois se o ataque do Boca mete medo nos adversários, a defesa vem provocando risadas, com falhas absurdas e buracos imensos. Oito títulos da Libertadores em campo. Um super confronto! O Flamengo é outro que se deu mal. O América do México vive uma péssima fase, mas tem uma camisa de muita tradição, uma torcida super numerosa e a distância da Cidade do México ao seu favor. O Flamengo não fez boas partidas pela Libertadores, com exceção da disputada contra o Cienciano, em Cuzco. E agora ainda vai se despedir de Papai Joel. São duas nações no confronto. Duas das maiores torcidas do mundo. Imperdível. San Lorenzo e River Plate fazem um confronto de gigantes em Buenos Aires. Uma rivalidade histórica entre dois dos considerados grandes do país. Antigamente se dizia em Buenos Aires que a cidade tinha seis grandes: Boca, River, Independiente, Racing, San Lorenzo e Huracán. Este caiu muito, ficou oito anos na segunda divisão e, apesar dos seus torcedores não admitirem, perdeu o posto de grande. O que deixa o San Lorenzo numa situação desconfortável. Afinal, ele é o único dos grandes que nunca venceu uma Libertadores e já teve que assistir três ‘pequenos’ vencendo o torneio: Estudiantes, Velez e Argentinos Juniors. E este é o ano do centenário do Ciclón, que investiu muito pra quebrar essa escrita. O River é o time argentino com o maior número de participações na Libertadores e "só" venceu duas vezes. O time é considerado bem "amarelão" no torneio continental por isso. E seus dois títulos foram justamente contra outro com a mesma tradição de amarelar: o eterno vice do continente, América de Cali. Será um grande clássico! O Fluminense, dono da melhor campanha da primeira fase, enfrenta o Atlético Nacional de Medelín, que tem mais tradição que o tricolor das Laranjeiras na Libertadores, um título conquistado, mas conta com um time bem mais fraco. O Estudiantes pega a LDU, num confronto equilibrado. Mas o time de La Plata tem Verón, jogando por amor à camisa que seu pai envergou com brio. E Verón é craque. O São Paulo, dono de campanha pífia, enfrenta o Nacional. Ambos são tricolores, tri da Libertadores e Mundiais. O time uruguaio não é mais aquele, claro, mas fez mais pontos que o time paulista na primeira fase. Aposto nos uruguaios. O Atlas encara os atuais campeões argentinos da região metropolitana de Buenos Aires: o Lanus. Confronto sem nenhuma tradição continental de dois times que foram bem na primeira fase. O Lanus segue invicto. O time mexicano foi o primeiro num grupo que tinha Boca e Colo Colo. Por fim, o Santos encara o Cúcuta, sem vantagem. Único confronto repetido da primeira fase, quando o Peixe teve muita dificuldade com os colombianos, que buscam repetir a boa campanha do ano passado. É isso. Restam 16. E quem será o Libertador da América? Por Romero Carvalho
Escrito por Geraldinos & Arquibaldos às 11h33
[]
[envie esta mensagem]
|
||